Não calo!

Não calo!

sábado, 6 de agosto de 2011

Palavra esquecida



_...boa noite!

revirou-se na cama ... não se rendeu a despedida
Faltava ter dito o misterioso incógnito talvez poesia,
Procurava inspiração em silêncio óbito, sofreu, 
quase desistia
abriu sua janela procurando os desenhos nas estrelas
 viveu uma história nunca contada pela mitologia grega 
 embarcou palavrinhas em uma brisa do norte 
a deriva no horizonte a deriva da sorte  
com sextante nas mãos descobriu o Cruzeiro no céu,
 sul navegante
Agasalhou letra por letra dentro de uma bolinha de sabão espumante
 assoprou,assoprou... gritou avante avante! 
ao sabor do vento a pequena bolha foi devagar 
... e devagar foi longe
tão frágil brilho arco-íris  atraiu olhares curiosos adiante
linda bolha poetisa voando alto ganhando a batalha liderando o front
por fora rocha vulcânica , por dentro pétalas de rosa em desmanche 
fez do infinito sua prisão e das flores acalorada  amante
resistiu aos raios do sol e desviou-se dos raios da chuva
Resistiu ao calor e ao frio, sobreviveu, saiu pura
fez voos rasantes  testemunhou brigas e beijos diamantes
gracejou-se com a companheira gaivota obstada nessa aventura
Fugiu  da medíocre liberdade presi-diária, visitou até lua
atravessou o paralelo trinta, aero-porto alegre, cruzou a rua
avistou do alto o Uruguai passou o Prata bons ares adiante
vista é hoje na Praça de Maio encantando paisagem portenha,
do céus do Brasil era aprendiz, mas em terras castelhanas princesa
Aproximou a-traindo olhares comprometidos, 
pecados da mente obliqua
 um paradoxo diante da alheia cobiça manteve-se só
 ... nunca sozinha
onipresente invadiu o quarto precedendo o crepúsculo, 
que logo surgia
finalmente estourou em vida tais palavras:
foi-se a bolha, ouviu-se ¡Buenos Aires, buenos días!



Everton de Oliveira Bunder (06/08/11)

Nenhum comentário:

Postar um comentário